quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Menos de um mês

Encontramos-nos a menos de um mês das comemorações dos 100 anos da Implantação da Républica, não existe qualquer movimentação da Parte dos Républicanos Portugueses.
Presume-se que será um momento que pretendem que passe em claro e discretamente.

Verdade seja dita que são parcos os motivos de comemoração que podem assistir á comemoração de tal evento...
Sabemos contudo que não foram tão parcos assim os meios que lhes foram afectos para a comemoração €10.000.000,00 ( dez Milhões de Euros) numas comemorações que se iniciaram a 31 de Jneiro deste ano e terminarão em Agosto de 2011.

Falta apurar no Orçamento de estado de 2011, qual será o montante do reforço de verba afecta ás comemorações dos 100 anos da Républica, para esse mesmo ano.

Estaremos por certo atentos.

O Presidente da Real Associação do Ribatejo,

Orlando Góis

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Casa Real espanhola também aperta o cinto

Rei Juan Carlos pediu a primeiro-ministro Zapatero um corte, a partir de Junho, no orçamento destinado anualmente às suas despesas.


A crise económica afecta a todos e a Casa Real espanhola está a ser pressionada para apertar também o cinto. Em 2010, o Rei Juan Carlos tinha previsto receber 8,9 milhões de euros para as suas despesas, de que não precisa prestar contas. O pagamento é trimestral e o Rei já terá pedido ao Governo, liderado por José Luis Zapatero, que corte nesse valor a partir de Junho. O suplemento La Outra Crónica, do jornal El Mundo, fez as contas e diz onde o monarca pode poupar 1,7 milhões de euros (ver caixa).

O orçamento entregue ao Palácio da Zarzuela serve para pagar os únicos dois salários da Casa Real: o de Juan Carlos e o do príncipe herdeiro, Felipe. Além disse, cobre o ordenado daqueles que trabalham directamente com a monarquia, num total de 200 pessoas. Destes, há funcionários que têm o salário equiparado ao de ministros – como o chefe da Casa Real, Alberto Aza – ou de secretários de Estado. Apesar do estatuto diferente, têm visto o ordenado aumentar na mesma proporção que estes e agora devem vê-lo também diminuir. Zapatero anunciou um corte de 15% nos salários dos altos cargos governamentais.

Os 8,9 milhões servem ainda para os gastos diários com alimentação na Zarzuela, as viagens privadas, os carros particulares e, claro, com o vestuário. Neste ponto, o Rei já anda a poupar há pelo menos 18 meses – o tempo em que não encomenda um fato novo (de 2000 a 2500 euros) ao alfaiate Gonzalo López, segundo o El Mundo. Já a rainha Sofia e a nora Letizia costumam repetir sem problemas os mesmos vestidos.

Em 2006, a Casa Real espanhola teve um orçamento de oito milhões de euros. Um valor que subiu até 2009, alcançando os 8,9 milhões. Perante os primeiros indícios da crise, Juan Carlos tinha pedido para que o valor se mantivesse este ano e agora aceita mesmo diminuí-lo. A monarquia custa a cada espanhol 19 cêntimos. Isto directamente, porque há outros gastos que são assumidos por vários ministérios, como, por exemplo, as viagens oficiais.

Ainda assim, a monarquia espanhola é das mais baratas. A britânica custa 81 cêntimos a cada britânico (orçamento de 48,8 milhões de euros), enquanto a sueca ronda os 55 cêntimos (5,13 milhões em 2006). Em comparação, a Presidência da República Portuguesa custa, segundo o Orçamento do Estado 2010, 20,7 milhões de euros – 1,9 euros por português.

Diário de Notícias, 30 de Maio de 2010

sexta-feira, 28 de maio de 2010

CORTES DE COIMBRA DE 1385

Se as classes política e intelectual dos nossos dias tivessem alguma abertura de espirito e fossem social e culturalmente menos complexadas, podiam ter colhido muito das ideias, dos saberes e das experiências que foram, ao longo dos tempos, forjando a identidade portuguesa e a nossa maneira de sentir e estar no mundo.
O “novo riquismo” europeísta das classes dirigentes, apoiado no diletantismo bacoco de uma “intelligentsia” esvaziada e de extracção recente, conduziram ao marasmo em que nos encontramos, de que só sairemos quando Portugal e os Portugueses se reencontrarem.

O Texto que se apresenta é bem o exemplo de como, em situação de crise, se escolhe um Rei e se reconstrói um Reino.

“Abertas as côrtes de Coimbra, o Chanceler João das Regras tomou logo a mão para falar, porque a ele tinha sido secretamente confiado o difícil papel de pôr fora de combate, em proveito do Mestre de Avis, os outros candidatos ao trono de Portugal.
Ocupou-se em primeiro lugar da candidatura de D. Beatriz. Combateu-a dizendo que a rainha de Castela era filha adulterina de D.Leonor Teles, por isso que nascera sendo vivo João Lourenço da Cunha; que D. Fernando e Leonor Teles eram ainda parentes em grau que não admitia dispensa, por isso que tanto D. Fernando como João Lourenço da Cunha eram trinetos de D. Afonso III; que, finalmente, não podia haver certeza de que D. Beatriz fosse filha do rei D. Fernando.
E, a fim de libertar de escrúpulos o espírito dos fidalgos que estavam ligados por juramento à causa de D. Beatriz, recordou a violação dos tratados por parte do rei de Castela, e que este estava fora do verdadeiro grémio da Igreja, por isso que reconhecia o papa de Avinhão, ao passo que o governo do mestre de Avis reconhecia o santo padre Urbano, o verdadeiro papa.
O auditório deixou-se arrebatar pela palavra ardente do douto chanceler, e os aplausos rebentaram de todos os lados da sala, especialmente quando ele apelou para o sentimento de nacionalidade, que devia levar todos os bons portugueses a repelirem a candidatura de D. Beatriz, que representava simplesmente uma absorção.
Triunfante da primeira dificuldade, João das regras passou a falar dos dois filhos de D. Inês de Castro.
Esta investida era muito mais difícil, não só porque era muito numeroso o partido da legitimidade, mas também porque o próprio mestre de Avis reconhecera o direito do infante D. João, filho mais velho de Inês de Castro. Mas João da Regras, com a sagacidade que lhe era peculiar, procurou atacar a questão pela raiz, e tratou logo de pôr em duvida a legitimidade do casamento de D. Pedro com D. Inês de Castro. Notou as inverosimilhanças que se davam entre o caracte resoluto de D. Pedro e o suposto receio de declarar enquanto seu pai fosse vivo, que D. Inês era sua legitima mulher; observou que não era crível que todas as pessoas que se dizia terem assistido ao casamento perdessem a memória do dia, mês e ano em que se realizou, excepto uma só, Estevão Lobato, cuja declaração devia avivar a reminiscência dos outros que foram presentes; estranhou que D. Pedro fizesse semelhante declaração só depois de transcorridos quatro anos sobre a morte de seu pai.
“E porque pensais que isto assim então foi feito? (São palavras que Fernão Lopes atribui a João das Regras). Porque em vida de el-rei seu pai, nem depois até aquele tempo, nunca ele pode haver dispensação do Papa, que lhe legitimou os filhos; então fez aquela publicação como vistes, por mostrar que eram lídimos, e valesse o que pudesse valer.”
Tendo preparado o seu discurso com uma sagacidade verdadeiramente notável, João das Regras ia subindo lentamente a escala dos efeitos, e de si para si rejubilava de ver que os seus golpes eram certeiros, e produziam o resultado esperado.
Portanto, fez notar que ainda que D. Pedro tivesse casado com D. Inês, o casamento seria ilegítimo, porque D. Pedro era primo co-irmão do pai de D. Inês de Castro, e ainda também porque D. Inês fora madrinha do Infante D. Luís, filho de D. Pedro e de D. Constança, o que constituía grave impedimento.
Estavam, pois, fora de combate D. Beatriz de Castela e os filhos de D. Inês de Castro, os quais, além da ilegitimidade da sua origem, tinham desservido a pátria em favor de Castela. Pelo que só restava eleger o mestre de Avis que, sobre ser de origem real, tinha defendido heroicamente a pátria em circunstâncias tão difíceis.
Ainda assim, a vitória de João das Regras não era decisiva, porque a assembleia estava dividida em duas facções: uma, que se inclinava para a causa do Infante D. João e era capitaneada por Martim Vasques da Cunha; outra, que advogava a causa do mestre e tinha por orador João das Regras e por leader Nuno Álvares Pereira.
Não se chegara ainda a resolução nenhuma, e a vaga parecia mesmo rugir ameaçadora, o que suscitou a Nuno Álvares a ideia de se desembaraçar violentamente de Martim Vasques. Mas João das Regras parecia tranquilo ao passo que Nuno Álvares se mostrava impaciente. Era que João das Regras tinha ainda de reserva um golpe terrível, que em ultimo caso vibraria triunfantemente.
Com efeito, em nova sessão das côrtes João das Regras pôs em acção a sua aartilharia de reforço, e preparou-se para ler uns documentos “que ele quisera calar”.
O primeiro documento lido foi uma carta do rei D. Afonso ao arcebispo de Braga pedindo-lhe a us interferência paraa que o papa negasse a seu filho D. Pedro, que andava “embevedo de amores”, a dispensa que ele solicitasse para casar com D. Inês de Castro.
Depois, João das Regras passou a ler uma caarta de D. Pedro ao papa, na qual lhe declarava que havia casado com D. Inês de Castro, não obstante o parentesco que tinha com ela, e lhe pedia que confirmasse o casamento, “em guisa que os moços ficassem legítimos”.
Em seguida, e depois de fazer sentir à assembleia a intensidade dos esforços que os embaixadores de D. Pedro empregariam junto da Santa Sé, para obterem a confirmação papal, João das Regras desenrolou um terceiro pergaminho, que passou a ler.
Era a resposta do papa à solicitações de D. Pedro.
Este documento, bem como os outros já referidos, vêm estampados na crónica de Fernão Lopes. Mas, a fim de não alongarmos fastidiosamente a narrativa, limitar-nos-emos a noticiar que o papa Inocêncio VI recusava categoricamente legitimar o casamento e os filhos.
Em vista destas provas, que tinham um grande valor, sobretudo se atendermos à época, o grupo que defendia a legitimidade do filho mais velho de Inês de Castro, alijou os seus escrúpulos, e fez causa comum com os defensores da candidatura do mestre de Avis.
Então, os prelados, fidalgos e procuradores dos concelhos foram oferecer ao mestre a corôa de Portugal. Outro qualquer havê-la-ia recebido a impulsos de alegria, sem procurar firmar-se cadaa vez mais no terreno. Mas o mestre de Avis sabia também preparaar efeitos, e alegou que “havia tais embargos assim no defeito de sua nascença, como na profissão que à ordem de Avis fizera” e, principalmente, que seria inconveniente que sendo rei fosse vencido por Castela, facto que a dar-se não desairaria nem o reino nem a ele, não passando de um simples cavaleiro. Por ultimo, que contassem sempre com a sua boa vontade quando se tratasse de defender a pátria.
A isto replicaram os prelados, fidalgos e procuradores dos concelhos instando para que aceitasse a corôa, porque de outro modo Portugal correria grande risco de cair nas mãos dos inimigos, “maiormente sismáticos e reveis” à Santa Igreja.
O mestre de Avis, que já não podia ser de futuro acusado de ambicioso, porque tinha dificultado a sua anuência, cedeu por fim, e tudo se preparou desde então para o acto solene de aclamação, sendo Nuno Álvares Pereira encarregado de dirigir os apercebimentos da festa.
Com efeito, o mestre de Avis foi aclamado rei de Portugal a 6 de Abril de 1385, tendo vinte e sete anos de idade.
Finalmente, a obra começada pelo povo acabava de ser coroada pelo clero e pela nobreza.
Sentava-se finalmente no trono de Portugal um rei que a vontade popular indicara e cuja candidatura a sua perseverança fizera triunfar.
Três elementos poderosos contribuíram certamente para o bom resultado da empresa: a firmeza do povo, a espada de Nuno Álvares e a provada sagacidade do Dr. João das Regras.”

(Luciano Cordeiro, História de Portugal, II Volume, Livro VI, pags. 343 a 345, Empresa Literária de Lisboa, 1876)

sábado, 15 de maio de 2010

Votos de Feliz Aniversário pelo 65º Aniversário de S.A.R. Senhor Dom Duarte






O Chefe da Casa Real Portuguesa, Dom Duarte Pio João Miguel Gabriel Rafael de Bragança é filho dos Duques de Bragança, Dom Duarte Nuno, Neto de D. Miguel I, Rei de Portugal e Dona Maria Francisca de Orleans e Bragança, Princesa do Brasil, trineta do Imperador D. Pedro I do Brasil, também conhecido como D. Pedro IV de Portugal.

Em período de exílio que atingiu a Família Real, nasceu na Suíça mas em território português: na Embaixada de Portugal em Berna, a 15 de Maio de 1945. Teve por padrinhos Sua Santidade o Papa Pio XII e por madrinha a Rainha Dona Amélia de Orleans e Bragança, então viúva de D. Carlos I, Rei de Portugal.

Permitido o regresso a Portugal da Família Real nos anos 50, estudou no Colégio Nuno Álvares (Caldas da Saúde) em Santo Tirso entre 1957 e 1959.

Em 1960 ingressou no Colégio Militar, prosseguindo, posteriormente, os Seus estudos no Instituto Superior de Agronomia e ainda no Instituto para o Desenvolvimento na Universidade de Genebra.

Cumpre o serviço militar em Angola como Tenente Piloto Aviador da Força Aérea entre 1968 e 1971. Durante esse período conheceu em profundidade as populações das então Províncias Ultramarinas, estabelecendo relações de amizade, em particular, com chefes tradicionais e lideres espirituais das várias religiões, circunstancias essas que lhe criaram dificuldades acrescidas com as autoridades em Lisboa.

Como Presidente da Campanha “Timor 87”, desenvolveu actividades de apoio a Timor e aos Timorenses residentes em Portugal e noutros países, iniciativa que teve o mérito de dar um maior destaque à Causa Timorense.

Sob a presidência do Senhor Dom Duarte participaram dessa campanha numerosas personalidades notáveis de diferentes quadrantes da sociedade portuguesa da altura, conseguindo-se a construção de um bairro para Timorenses desalojados.

Através da Fundação Dom Manuel II, instituição que preside, deu continuidade a esse empenho através de ajudas financeiras para a concretização de projectos nos domínios da educação, cultura e promoção do desenvolvimento humano em Timor e noutros países lusófonos.

Encetou contactos a vários níveis incluindo uma visita aos Governantes Indonésios, e a Timor Sob ocupação, que contribuiu decisivamente para uma mudança da atitude do Governo Indonésio e para O despertar de consciências em relação ao processo de independência daquele território.

É Presidente Honorário e membro de diversas instituições, sendo actualmente membro do Conselho Supremo dos Antigos Alunos do Colégio Militar e Presidente Honorário do Prémio Infante D. Henrique, programa vocacionado para jovens e que tem como Presidente Internacional S.A.R. o Duque de Edimburgo.

Desde muito jovem dedicou a sua atenção á defesa do ambiente, pertencendo desde os dez anos à Liga para a Protecção da Natureza.

Manifestando um profundo interesse e amor por Portugal e por toda a presença de Portugal no mundo, só ou acompanhado da sua Família percorre anualmente várias regiões do País, países lusófonos e comunidades portuguesas no mundo inteiro a convite dos responsáveis locais.

É Grão Mestre da Ordem de N. Sra. da Conceição de Vila Viçosa, da Real Ordem de São Miguel da Ala, Juiz da Real Irmandade de São Miguel da Ala, Bailio Grã-Cruz da Ordem Soberana de Malta, membro do Conselho Científico da Fundação Príncipes de Arenberg.

Agraciado por múltiplas ordens honoríficas, o Duque De Bragança está ligado por laços familiares a várias Casas Reais da Europa, nomeadamente: Luxemburgo, Áustria-Hungria, Bélgica, Liechenstein, Itália, Espanha, Roménia, Sérvia, Bulgária Thurn e Taxis, Bourbom Parma, Loewenstein etc.

Visita regularmente países com estreita relação histórica a Portugal frequentemente a convite dos respectivos Governos ou Chefes de Estado com quem mantém laços de amizade, como por exemplo o Brasil, Arábia Saudita, os Emiratos Árabes Unidos, Japão, China, Marrocos, Rússia, Estados Unidos, etc.

Casou a 13 de Maio de 1995, com a Senhora Dona Isabel de Herédia, e é pai de:
Dom Afonso de Santa Maria, Príncipe da Beira, nascido a 25 de Março de 1996 e baptizado em Braga a 1 de Junho de 1996,
Dona Maria Francisca nascida a 3 de Março de 1997 e baptizada em Vila Viçosa em 31 de Maio de 1997
Dom Dinis nascido a 25 de Novembro de 1999 e baptizado no Porto em 19 de Fevereiro de 2000

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Inauguração da Biblioteca Ruy Gomes da Silva- Chamusca



A Real Associação do Ribatejo, foi convidada a estar presente, no dia de hoje 14 de Maio de 2010, pelas 11.00horas na Pessoa do seu Presidente, na Inauguração da Biblioteca Municipal da Chamusca " Ruy Gomes da Silva", Principe de Eboli.
Inauguração que ocorreu no decurso das tradicionais "Festas da Ascenção da Chamusca".
Fomos, primorosamente, recebidos pelo Senhor Presidente da Camara Municipal da Chamusca,Sergio Carrinho, incorporando as entidades oficiais, entre as quais se encontrava a senhora Governadora Civil, Dra.Sónia Sanfona, (ex colega de escritório do Actual Presidente da Real Associação do Ribatejo, Dr. Orlando Góis). Após a inauguração e visita ás instalações, seguiu-se um Porto de Honra, servido aos convidados.
Esteve ainda presente o Professor Doutor António Hespano, da Faculdade de Direito de Lisboa.

Ficou agendado o compromisso de envidaraem-se esforços no sentido de colaboração cultural com o Município da Chamusca.

Breve biografia de Ruy Gomes da Silva:

Noa ano de 1516 nasce na Chamusca o segundo filho varão de Francisco da Silva e Maria de Noronha, Ruy Gomes da Silva.
Ruy Teles de Meneses, conde de Unhão, avô por linha materna de Ruy Gomes da Silva e mordomo-mor da Infanta D. Isabel, fez com que este fosse incluído no sequito imperial.
Assim , e com apenas dez anos de idade,Ruy Gomes da Silva vê-se forçado a acompanhar a Infanta na sua deslocação para Castela, onde iria casar com o Imperador Carlos V.

As Brincadeiras e Cumplicidades de Ruy e Dom Filipe

A 21 de Maio de 1527, uma ano após a chegada de Ruy á corte castelhana, nasceu o filho do casal imperial, o Principe S.A.R. Dom Filipe, com quem iria privar e criar uma forte relação de amizade, reforçada após a morte da Imperatriz Dona Isabel.
Ruy Gomes da Silva foi o unico estrangeiro a fazer parte dos seis priveligiados que participaram na educação do pequeno príncipe.

O Cavaleiro

Ao longo dos anos, uma profunda amizade e a partilha dos gostos comuns aproximaram ainda mais Ruy Gomes da Silva e o Futuro Rei, Sua Majestade Dom Filipe II.
Excelentes cavalaeiros participavam em todon o tipo de competições, destacando-se Ruy Gomes da Silva pela sua coragem e habilidade na arte de bem cavalgar.

O Conselheiro

Considerado como o mais intimo conselheiro de Sua Majestade, Rei Dom Filipe II e fiel depositário dos segredos particulares e dos mais relevantes do Estado,Ruy Gomes da Silva foi o homem da sua maior confiança.
intitulado por muitos como Rei Gomes da Silva, foi um homem discreto mas perseverante, influenciando as mais importantes decisões de Sua Magestade Filipe II.

O Politico

Para poder integrar, Ruy Gomes da Silva no seio de uma sociedade muito segmentada e fechada, era fundamental engrandecê-lo em ermos nobiliárquicos. Assim El Rei Dom Filipe II, Atribui-lhe Inúmeros títulos, entre eles: Comendador de Esparregal n Ordem de Alcantara; Conselheiro de Estado;Contador Mor de Castela e das Indias, Principe de Éboli e Grande da Espanha.

Ruy Gomes da Silva casou-se com Ana Mendonça e de la Cerda, em 18 de Abril de 1553 e apadrinhado por S.M. Rei Dom Filipe II, quando esta tinha apenas 13 anos de idade.
Este casamento proporcionou a Ruy Gomes da Silva um novo estatuto.
Ana Mendonça e de lacerda era uma mulher extremamente bonita e apresentava como particularidades uma pala sobre o olho direito que tinha cegado durante um jogo de florete. Do casamento resultou o nascimento de oito filhos, tendo cinco chegado á idade adulta.
Os Duques de Pastrana e Principes de Éboli deram ainda a Portugal uma rainha, a sua trineta Dona Luísa de Gusmão.
Dona Ana de Mendonça e S.M. Dona Isabel de Valois, mulher do Rei Filipe II eram muito amigas, depositando a Rainha a máxima confiança nela.
Concessão do Alvará aos Lugares da Chamusca e de Ulme
Francisco da Silva, 3º Donatário da Chamusca e de Ulme protagonizou a primeira tentaiva conhecida de solicitar a autonomia das suas terras. No entanto só com a forte inflência de Ruy Gomes da Silva e sob a de D. Catarina ( na menoridade de D. Sebastião) foi dado a 18 de fevereiro de 1561 o Alvará que permitiu elevar a Vilas os Lugares da Chamusca e de Ulme.
Na Corte do Rei Filipe II, teve como seu Grande opositor o Duque de Alba, que era um homem que defendia as posição de uma espanha una e impsota pela força e Ruy Gomes da Silva era mais diplomata e procurava obter posições consensuais, era conhecido pelo principe da Paz.
Ruy Gomes da Silva, construiu a vila ducal de Pastrana, que em tudo se assemelhava á sua terra Natal, Chamusca e foi o reviver da sua Infancia. eram frequentes as festas , torneios, touradas, bailes e competições, neste Paço Ducal.
Ruy Gomes da Silva, faleceu em Madrid em 29 de Julho de 1573, bastante debilitado e frágil, depois da sua morte sua mulher viu-se envolvida numa trama politica que ditou o seu enclausuramento no seu Palacio Ducal em Pastrana, aí vivendo os seus ultimos dias.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

O Rei ao lado do seu Povo Maio 11, 2010



O Rei ao lado do seu Povo Maio 11, 2010


Outros não o fariam. A começar pelos actuais governantes. Mas o Senhor D. Duarte e a sua Família são pessoas simples. De trato e de hábitos. A eles não lhes repugna estar no meio do Povo. As fotos, de autoria do deputado José Ribeiro e Castro, esta manhã em plena Av. da República em Lisboa são bem elucidativas. A Família Real estava, como o demais Povo, atrás das grades. A ver passar o Papa. Uma lição para aqueles para quem gestos deste tipo são impossíveis. No fundo, e como sempre, o Rei com o seu Povo!

Fonte Blogue Corta Fitas

domingo, 9 de maio de 2010

Relembrando as Palavras de Dom Duarte...em 2003


Intervenção em Serralves
Dom Duarte de Bragança




Aceitei este honroso convite de um debate com o Sr. Prof. Arquitecto Souto Moura por considerar que, embora seja um leigo na matéria, sou um utilizador, um consumidor atento do trabalho dos arquitectos e urbanistas.

Lembro-me bem que, quando era criança, estranhava e lamentava o facto de as construções modernas nunca terem a beleza das antigas, e perguntava aos crescidos porque era assim?

Normalmente respondiam-me que tinha que ser assim porque hoje já não se sabia construir como dantes. Alguém disse-me até que desde que a república tomou conta de Portugal perdeu-se o sentido da harmonia, pois o importante era a revolução. Outros diziam que a harmonia era o reflexo da obra de Deus e agora Deus tinha sido expulso da nossa sociedade.

Com este tipo de influências na minha infância não admira que as tendências reaccionárias se tenham entranhado no meu subconsciente de então...

Mas com o passar dos anos e a adolescência, pus em causa muito do que me disseram na infância e procurei perceber a beleza da arquitectura moderna. E descobri que se tratava às vezes não era de construir casas mas sim belas esculturas que servissem também para lá viver e trabalhar. Ainda hoje fico deslumbrado com a perspectiva da avenida dos ministérios em Brasília e com a beleza dos seus palácios e da sua Catedral e da Igreja de D. Bosco! E sob essa perspectiva tenho que admirar muitas das obras dos nossos arquitectos contemporâneos portugueses...

Não tenho dúvidas de que a arquitectura, para além de ser uma técnica é sobretudo uma arte, e é sem duvida a única arte realmente importante para a nossa vida.

Ao contrário da pintura, da música, etc., as quais podemos escolher ou evitar se nos desagradam, nós não podemos fugir, não podemos evitar o resultado da obra dos arquitectos, que na verdade molda o futuro das comunidades humanas que lá vivem

Durante milénios a arquitectura foi fruto da cultura dos povos.

Quem construía eram artesãos que iam aprendendo com os seus mestres.

A extraordinária arte dos construtores de catedrais, castelos e palácios foi preservada e desenvolvida pelas Corporações de pedreiros livres cujos mestres ensinavam o que sabiam aos seus alunos e circulavam por toda a Europa.

Instituições semelhantes existiram em todas as grandes culturas do velho e do novo mundo, no Oriente e no Ocidente.

Como em outros aspectos da vida, a industrialização pôs em causa muitos dos valores das sociedades tradicionais.

No séc. XX vimos desaparecerem muitas culturas esmagadas pela globalização.

Felizmente assiste-se hoje a uma reacção, e pela primeira vez de há muito tempo, as elites culturais aceitam essa reacção como justa, em vez de insultar os seus militantes com epítetos tais como retrógrados, reaccionários, contra-revolucionários, etc.

Felizmente esta reacção é uma bandeira das esquerdas políticas, desiludidas com o marxismo e inseguras quanto ao significado do socialismo..

Os partidários da globalização encontram-se hoje entre os devotos da “religião” fundamentalista do progresso universal e entre os mais entusiastas apoiantes do capitalismo liberal e apátrida.

Estranhamente os intelectuais de esquerda em Portugal só não contestam ainda a globalização em matéria de arquitectura.

Será que esta atitude está relacionada com a origem ideológica do modernismo?

O movimento modernista faz parte da corrente ideológica socialista que pretende criar um homem novo cortando com as raízes culturais que transmitem todos os vícios e comportamentos do passado: religião, família, estrutura económica e forçosamente arquitectura.

O socialismo hoje é basicamente uma doutrina moral que pretende acabar com as injustiças sociais e lutar pela igualdade de direitos entre todos.

A vontade de despertar o proletariado para a luta de classes está na origem do urbanismo social do séc. XX.

Pela primeira vez na Europa a população das cidades foi dividida em bairros conforme a sua condição económica.

Os mais pobres vivem em “ghetos”, a burguesia remediada na cidade tradicional e os ricos vão viver para condomínios fechados.

Mas as consequências dessa lógica urbanística foram desastrosos para as suas vítimas...

Em toda a parte os chamados “bairros sociais” modernos são focos de infelicidade e produzem o comportamento marginal dos jovens e agravam as causas da pobreza.

Não só os regimes comunistas criaram a sua arquitectura simbólica, também os regimes fascistas o fizeram e até Portugal teve a sua arquitectura do «Estado Novo». Vários grandes arquitectos portugueses se entusiasmaram por essa tendência.

Em reacção surgiu entre nós o movimento liderado por Raul Lino.

Cito um artigo do Professor Cornélio da Silva:

“O conhecimento que adquiriu dos edifícios portugueses mais exemplificadores da nossa arte de edificar, privilegiou-o face aos seus contemporâneos nacionais, formados numa arquitectura burguesa dominante de importação francesa. A voz nacional corrente no domínio da arquitectura não reconhecia os variados modelos do património formal, tanto erudito como vernacular. Limitava-se a opor uma tradição construtiva despojada de finais do sec. XVIII que ainda perdurava, denominada de “estilo pombalino.”

Raul Lino de posse de uma cultura estruturalmente sólida e europeia, completada também por uma apreciável formação musical, conseguiu ver mais longe e de forma idealizada os factores estruturantes e condicionantes da expressão cultural portuguesa pela sua actividade de arquitecto. Na verdade soube ver e ler em Portugal os ingredientes que mais tarde uma grupo de pensadores igualmente viriam a identificar sob outras análises, como base de uma vocacionada identidade biológica, geográfica, social e política denominada Integralismo Lusitano.”

São a arquitectura e o urbanismo contemporâneos, na sua substancia comparáveis à complexidade dos resultados alcançados pelas outras épocas? É verdade que uma cidade inteiramente barroca não revela necessidade de uma presença gótica e que as cidades renascentistas dispensam os vestígios de outras épocas. Será que as criações recentes são detentoras da mesma capacidade?

Será que o movimento moderno, autoproclamado como expressão única da sua época, está à altura das suas ambições?

Será que a formidável criatividade mecanicista da era industrial encontrou realmente o seu equivalente, ao nível da arquitectura e do urbanismo?

Será que o urbanismo do séc. XX é apenas capaz de se revelar como um “suburbanismo” e este tornou-se como o próprio símbolo dos efeitos perversos de se “viver em sociedade” ?

Mas existirá realmente uma arte de criar e conceber as cidades de hoje ? Cidades capazes de nos atrair e seduzir, cidades que nós iríamos escolher para viver ? Existe, de facto, uma escolha em matéria de arquitectura?

Gostaria de citar o Arq. Léon Krier, que afirma:

“Existem actualmente, dois tipos de arquitectura. Uma pública, uniformizante, de estilo internacional, que pode ser interpretada como arrogante, mesmo provocadora; a outra privada, frequentemente baseada nos modelos regionais, procurando integrar-se de forma natural e harmoniosa nas diferentes paisagens.

A primeira é o produto da arquitectura oficial, das encomendas, e concursos “públicos” controlados: simbolizam-na em geral os grandes conjuntos, equipamentos e instituições (hospitais, escolas centros culturais, etc).

A segunda, resultante unicamente da promoção privada, inclui as habitações individuais e, mais recentemente, grandes conjuntos de lazer adaptados às regiões, seja isso na Virgínia, na Provence, na Nova Inglaterra, nas Bahamas, na Baviera, na Toscânia ou mesmo em Portugal.

Ora, perante esta realidade democrática maciça, os ideólogos, não se podem dar ao luxo de a ignorar, tomam uma distância denunciadora. Ao invés de investirem neste fenómeno da sociedade de maneira inteligente, de o civilizarem através da critica e da pedagogia, refugiam-se no desprezo.

No entanto nos países democráticos avançados a arquitectura de lazere do sector residencial não subsidiado é presentemente dominada por concepções que pertencem à arquitectura tradicional.

Os grades estaleiros urbanos de Richmond, Port Grimaud, Gassin Sea Side , Florence, Potsdam, etc., revelam que os grandes equipamentos modernos, ou seja, bairros inteiros derivados de uma arquitectura e urbanismo tradicionais podem ser realizados em prazos extremamente curtos, com capacidade de resposta às exigências da sociedade industrial desenvolvida. Aqui temos, talvez, as primeiras grandes realizações de uma modernidade serena e cívica, ou seja, não alienante, nem Kitsch, nem agressiva.

A liberdade de escolha, a liberdade de expressão e o respeito pelas leis constituem as virtudes principais da democracia política. Uma pluralidade de estilos de vida, de credos e, portanto, de estilos de arquitectura e de cidade constituem a expressão natural deste conceito. Não pode existir um único estilo “democrático”, assim como não poderá existir um “partido democrático único”.

É um erro atribuir a responsabilidade do aspecto caótico das nossas cidades e dos nossos campos ao pluralismo democrático. Ele, por si só, também não exprime de forma alguma o fundamento pacífico, organizado e convencional da sociedade civil e não facilita o seu desenvolvimento harmonioso.

As diferenças de opinião podem conduzir a um conflito ou solucionarem-se num debate civilizado. A pluralidade de visões urbanísticas e arquitectónicas ao invés de tender para uma desordem generalizada, pode ser canalizada a fim de produzir uma pluralidade de cidades e aldeias extremamente diferentes na sua estrutura, na sua arquitectura, na sua densidade; cada uma segundo a sua própria unidade e harmonia. A sua especificidade.

A exacerbação das diferenças, por um lado, e a confusão das diferenças, pelo outro, constituem os limites extremos da virtude democrática. Democracia é sinónimo de, acima de tudo, convívio de diferenças e o seu desenvolvimento num quadro de tolerância. A existência de partidos contrastados é largamente aceite como base constituinte da vida política. Os partidos políticos não se encaram mutuamente como inimigos mortais, mas como representantes que procuram a realização de projectos políticos, por vezes opostos, sem pôr em causa a sobrevivência do sistema político. Cabe o mérito à Revolução Americana, pelo facto de ter instituído a tolerância como fundamento do debate democrático. Tolerância não implica o abandono de certezas: pelo contrário ela oferece às variadas preposições políticas e, por extensão , às distintas e diferenciadas concepções de cidade e arquitectura, a sua oportunidade de realização de forma coerente, sem compromisso depreciador.

Neste final do séc. XX, o pluralismo arquitectónico parece revelar dezenas de anos de atraso em relação ao pluralismo político.

A própria configuração das cidades é uma questão de escolha e não de fatalidade; aqueles que pretendem o contrário optam por não reconhecer que o aspecto desordenado das nossas cidades não se deve a um “laisser-faire” desenfreado, mas à materialização duma ideologia errada de planificação. A crise das periferias constitui uma ilustração trágica disso.

O vazio teórico e prático criado durante 50 anos de dogmatismo devastou tanto os espíritos como as cidades. Ao nível da teoria da arquitectura, os novos dogmas da incerteza, da ironia, da desconstrução, da ruptura, da descontinuidade e do substituível opõem-se a todo o pensamento lógico e explícito.

Aristóteles afirmava que a democracia não constitui uma forma de governo ideal, mas que ela é, em todo o caso, preferível à tirania. É necessária uma grande pluralidade de arquitectos, comparável à imagem dos meios políticos que se toleram e organizam, para garantir a saída do actual caos das cidades e das mentalidades.

Se o desenvolvimento da democracia cultural parece mais lento do que o da democracia política, as suas manifestações concretas naquilo que se refere à arquitectura, tornaram-se de tal forma evidentes que é impossível ignorá-las.

Com efeito, pode-se afirmar que a diversidade na concepção da cidade e da arquitectura constituem um complemento e uma ilustração necessária à diversidade de expressões políticas.

A modernidade arquitectónica não pode ser um fenómeno unitário e indivisível, mas inclui manifestações contrárias, contraditórias, em todos os campos pluriformes.

A única certeza que podemos ter quanto à arquitectura futura é a de que o reino da democracia de partido único foi deposto.”

Este pluralismo incontornável não conduz necessariamente as cidades ao caos; ele contém o germe de uma liberdade de escolha fundamental.

Se a existência de grupos de pressão que procuram influenciar o processo de decisão em matéria de arquitectura e urbanismo é aceite como um facto, desconhece-se a existência de um grupo de acção cívica que procure influenciar o “design” de aviões, frigoríficos ou de cadeiras de dentista. A autoridade das profissões que cumprem as suas promessas não é contestada senão raramente.

Com efeito, a reivindicação de intervenção constitui uma declaração de desconfiança dirigida apenas ao modernismo, pois não existe um movimento de crítica, contestação e protesto contra a arquitectura tradicional. Os arquitectos atribuem a responsabilidade dos terríveis insucessos do pós-guerra ao facto de que teriam apenas influenciado uma ínfima parte da actividade de construção.

Aqui ignoram-se dois factos importantes: se os arquitectos tivessem controlado integralmente o mercado de construção – como era o caso na Ex-União Soviética e nas cidades novas -, os efeitos do modernismo teriam sido ainda mais graves; nas grandes culturas arquitectónicas do passado, a maior parte dos edifícios domésticos não era projectada por arquitectos, mas por mestres construtores seguindo os parâmetros do costume. A autoridade moral e artística dos arquitectos não era contestada pois os seus modelos eram imitados, tanto pelos ricos como pelos pobres.

A autoridade da arquitectura tradicional, que perdura nos países democráticos, não pode ser justificada pela ignorância popular, por uma imposição autocrática ou pela manipulação psicológica. É uma tendência profunda do mercado, que transcende as flutuações dos gostos e das modas.

As culturas tradicionais desconhecem, tal como paradoxalmente é o caso nas democracias actuais, esse fosso intransponível entre cultura de elite e cultura comum.

Os gostos diferem em qualidade e refinamento, mas não na substância ou na forma. Não constitui uma ironia o facto de, em democracia, o gosto popular se encontrar mais próximo dos ideais formais, aristocráticos, do que certas modas artísticas liberais?

Um dos caso de sucesso da arquitectura contemporânea é o museu Guggenheim em Bilbao, e até é conhecida a expressão “Efeito Bilbao”, como exemplo da reanimação cultural e económica de uma cidade histórica.

Mas a verdadeira história não é conhecida...

A Câmara Municipal queria construir o museu numa zona histórica, mas o arquitecto Gehry recusou-se a alterar o perfil do “casco viejo” e escolheu uma zona suficientemente afastada da área histórica (onde aliás os edifícios novos são obrigados a seguir a arquitectura tradicional do bairro).

Ele escolheu uma zona sem “memórias históricas” pré-existentes, demonstrando um respeito pelo passado que em Portugal nem sempre é praticado pelos responsáveis autárquicos.

Hoje as visitas ao museu diminuíram muito, pois o que as atraía era a curiosidade pelo objecto raro, não o seu conteúdo; mas Bilbao melhorou globalmente devido a muitos outros projectos: saneamento do rio, um excelente metropolitano, centro de exposições uma exemplar obra de restauro dos bairros históricos.

É sabido que 80% dos turistas na Europa querem visitar cidades e bairros históricos.

Se o dinheiro gasto na Expo ou no C.C. de Belém tivesse sido investido, em parte, no restauro de Alfama, o impacto económico teria sido muito mais positivo.

Em Portugal os técnicos do IPPAR têm trabalhado com entusiasmo e dedicação no restauro dos nossos monumentos mas seguindo o critério de intervenções por vezes muito chocantes.

Defendem que “o contraste fica bem”.

Se alguém realiza uma viagem longa para visitar um castelo medieval, está interessado em sentir-se na Idade Média e não em ver as intervenções contemporâneas.

Bem sei que o IPPAR apoia-se na “Carta de Veneza”, criada em 1964 para dar uma base coerente e contemporânea à conservação e restauro dos monumentos antigos. Ela é para os monumentos antigos aquilo que a Carta de Atenas foi para o urbanismo, em 1931: um manifesto modernista.

Ela conseguiu de tal forma modificar as atitudes, que os seus princípios são hoje aceites como dogmas entre os especialistas, que não parecem questionar os resultados obtidos.

Em resumo: a Carta de Veneza diz que o restauro deve ser excepcional e que a consolidação de um monumento pode ser assegurada fazendo apelo a todas as técnicas modernas.

Artº 11 : a unidade de estilo não constitui um objectivo a atingir durante o curso de um restauro.

Artº 12 : Os elementos destinados a substituir as partes que faltam devem-se integrar harmoniosamente no conjunto, distinguindo-se das partes originais, a fim de que o restauro não falsifique os documentos da arte e da História.

Infelizmente, os resultados destas regras têm levado a que os restauros se tornaram num instrumento de conservação de ruínas e bocados e não das belas obras de arquitectura que se deveriam proteger.

Todos os edifícios precisam de restauros, e o facto de um monumento ou um simples moinho, ter sido negligenciado e caído em ruínas, não deveria impedir que fosse restaurado na sua plenitude original.

O Artº 15 diz: “todo o trabalho de reconstrução deverá ser excluído a priori. Os elementos de integração serão sempre reconhecíveis...

Ora para uma obra manter o seu carácter próprio e a sua unidade é necessário usar o mesmo tipo de materiais e técnicas que se usou na sua construção original.

De resto, quando se trata de restaurar edifícios modernistas, o critério é o de absoluta fidelidade ao desenho original...

Porque será que só os monumentos modernistas é que merecem este respeito ? Será por preconceito ideológico ou de classe ?

A Carta de Veneza transforma os trabalhos de restauro em actos de violação obrigatória, no caso dos edifícios pré-modernistas.

Parece-me tão absurdo como querer restaurar um quadro ou um móvel renascentista ou medieval, usando alumínios e plásticos, para “marcar a nossa época”.

É isto que estão a fazer aos nossos castelos e mosteiros.

Em vez de restauros temos “intervenções” que alteram o carácter do monumento.

E o prazer dos visitantes, que é o de fazer uma “viagem no tempo” é destruído em benefício da satisfação intelectual e do “ego “ dos técnicos e especialistas.

Em Castelo Rodrigo ouvi a revolta da população e dos autarcas perante as obras lá realizadas . Acusavam os técnicos de serem ditadores. Comentei isso com um jornalista local e, sem querer , provoquei grande descontentamento na direcção do IPPAR, expressa numa carta assinada por todos os responsáveis.

Espero que estas minhas afirmações de hoje sejam aceites como uma divergência de critérios e não como uma agressão a uma instituição cujos membros muito admiro e aprecio e que tem feito também muito de bom.

Em geral, as populações e os visitantes ficam chocados com estas experiências. O caso dos dois edifícios em forma de paralelepípedos que construíram dentro das muralhas de Sagres causou grande polémica internacional.

Outras agressões do mesmo género passam despercebidas.

Pergunto: será legítimo, em Democracia, alterar os nossos monumentos à revelia dos seus utilizadores e verdadeiros proprietários? Em países verdadeiramente democráticos os casos mais polémicos são geralmente resolvidos com recurso a referendos regionais; esta seria uma boa solução para o nosso caso, desde que ambas as partes pudessem expor as suas razões com o mesmo “tempo de antena “...

Mesmo em vilas impecavelmente preservadas, onde aos habitantes se exigem grandes sacrifícios para não alterar a traça das suas casas, o Estado permite-se alterar completamente a traça da localidade construindo uma pousada, uma escola, uma Câmara Municipal completamente desintegrados !

Nem vale a pena citar exemplos ... mas a nova torre em frente à Sé do Porto ou a fortaleza marroquina em frente aos Jerónimos são emblemáticos desta mentalidade , que considera que a nossa geração tem o direito de destruir a harmonia e as perspectivas dos monumentos e paisagens que fazem parte do nosso imaginário colectivo.

Espero que este encontro, que se deve à disponibilidade, que agradeço, do Sr. Prof. Souto Moura e da Sra Arquitecta Helena Roseta em dialogar com alguém que não pertence à profissão, e ao espírito de abertura e criatividade da Fundação Serralves, sirva para começar um diálogo entre os vários responsáveis e intervenientes pela arquitectura, urbanismo e restauro em Portugal, criando um confronto criativo entre as duas tendências que em todo o mundo dividem os responsáveis pelo sector.

Dom Duarte de Bragança





(Palavras proferidas por S. A. R. no dia 22 de Maio de 2003 no início de um debate na Fundação Serralves, no Porto, com o Prof. Arq. Souto Moura)

sexta-feira, 7 de maio de 2010

S.A.R., DONA ISABEL DE BRAGANÇA INTEGRA COMISSÃO DE HONRA DO PROJECTO "UM LUGAR PARA O JOÃOZINHO"

Porto, 06 Maio (Lusa) - S.A.R., Dona Isabel de Bragança, mulher de S.A.R., Dom Duarte Pio, Duque de Bragança, vai integrar a Comissão de Honra do projeto "Um lugar para o Joãozinho", anunciou hoje o Hospital de S. João, no ...Porto. O projeto foi lançado em Maio de 2009 com a finalidade de angariar fundos para a construção de uma nova ala pediátrica naquele hospital do Porto. Dona Isabel de Bragança visita sábado o Serviço de Urgência Pediátrica do "S. João", assumindo publicamente a sua integração na comissão de honra do projeto.
In "Expresso" de 06-05-2010

quarta-feira, 5 de maio de 2010

A Razão de o ser, por Paulo Teixeira Pinto

Sou monárquico. Isso sei-o bem.

Desde quando sou monárquico? Isso já não o sei dizer bem. Desde sempre? Bem, pelo menos desde que me lembro. Porque sei que desde o momento em que, ainda adolescente, meditei pela vez primeira sobre o assunto descobri, no mesmo instante, que era, naturalmente, monárquico.

Porque sou monárquico? Como acabei de dizer, para mim tratou-se de uma revelação natural, isto é, feita de acordo com a própria natureza das coisas. Não que tal decorra como inerente à própria condição humana, mas no meu caso pessoal resultou do reconhecimento da relação emocional e racional existente entre alguém que é português e Portugal, o mesmo é dizer entre uma ínfima parte e o todo a que esta pertence, uma Mátria que se fez Nação sendo um Reino.

Portugal ganhou identidade fazendo-se unido na sua pluralidade. E o que precisamente congregou e conferiu unidade às diversidades que sucessivamente lhe foram acrescendo foram os seus reis. O que tinham em comum todos aqueles que foram fazendo Portugal, no curso dos séculos e nos domínios das terras cujas fronteiras estavam sempre mais distantes, era o respeito a quem os conduzia e à bandeira que todos representava. Neste sentido, portanto, pode dizer-se que Portugal , porque nasceu, cresceu e envelheceu como Reino, é sem dúvida uma construção monárquica. Nada de mais natural, por conseguinte, do que um português gostar de gostar de Portugal, e só por isso reconhecer-se monárquico. Sem com isso se pretender, obviamente, que não haja portugueses que sejam republicanos e patriotas.

Porquê ser hoje contra a República? O problema é assim frequentemente colocado, embora o ponto não seja esse, antes o seu contrário. Não são os monárquicos que estão contra a República, mas os republicanos contra a Monarquia. Pois se foram aqueles quem derrubou esta...

Ser monárquico não é ser contra alguém ou alguma coisa. É ser por um ideal e estar em defesa de quem o encarna. Porque o Rei não é o senhor do Reino mas sim quem personifica em cada e determinado momento todos aqueles que vivem com identidade comum, num tempo comum e num espaço comum. O Rei é o primeiro servidor da comunidade, ou, dito de outro modo, o Rei é o último dos súbditos do Reino.

Nós, os monárquicos portugueses, também sabemos bem, à entrada do terceiro milénio, que a tradição que encerra a monarquia não é sinal de antiguidade, mas fonte de modernidade. Porque é uma prova de esperança. Esperança que Portugal não se dilua nuns putativos Estados Unidos da Europa. Não desconhecemos que só os povos que preservem os códigos da sua própria identidade poderão permanecer enquanto tais. Sem dúvida que é legítimo que alguns pretendam ser apenas europeus. Mas é mais legítimo ainda querer continuar a ser o que se é: portugueses por natureza e universais por vocação, logo também europeus por consequência.

A Europa não é, nem será nunca, uma Nação. E se não o é, nem pode sê-lo, também não deve pretender fingi-lo. Acontece que o faz. E sucede que o fingimento consiste em mascarar diversas Nações com as vestes de um Estado Federal. Ora, tal transformismo só é possível de encenação se nesta participarem abstractamente os chefes de Estado actuais. Resultará sempre realmente impossível se for ensaiado com Reis de Povos.

Por isso, ser monárquico hoje não é só uma manifestação de lealdade histórica. É sobretudo uma declaração de luta futura pela defesa da Independência de Portugal, para sempre.

E é esta a razão fundamental para todos os portugueses redescobrirem a necessidade e a urgência de emprestarem a sua vontade à restauração da Monarquia. Sem que isto signifique que até agora estejam convencidos do contrário, porque felizmente quase não há republicanos militantes. Se bem que, infelizmente, muitos ainda se julguem republicanos, apenas porque enfim...

Assim será até à proclamação: monárquicos porque sim!

Paulo Teixeira Pinto

Artigo de imprensa que relata a visita de Dom Duarte á OVIBEJA

Ovibeja 2010: José Sócrates visita hoje, a grande feira do Sul

Primeiro-ministro, José Sócrates, visita hoje, a Ovibeja. Escolheram este sábado também para visitar a grande feira do Sul o presidente do CDS-PP e Dom Duarte estão hoje, na Ovibeja.



Cumpre-se, neste sábado, o penúltimo dia de Ovibeja.

Cumpre-se, neste sábado, o penúltimo dia de Ovibeja, que fica marcado pela visita de José Sócrates. O primeiro-ministro está na grande feira do Sul, a partir das 12.30 horas. Meia hora antes chega Paulo Portas, presidente do CDS-PP, que escolheu este sábado para almoçar na Ovibeja. Para as 13.30 horas está agendada a visita de Dom Duarte à grande feira do Sul, que vai também assistir a uma conferência organizada pela Real Associação de Beja, dedicada ao tema “Monarquia uma ideia de futuro”, com o conferencista Coronel Américo Henriques e às 18.30 horas visita o espaço da Real Associação no Pavilhão Institucional.

No dia de hoje pode apreciar, tal como nos dias anteriores, um conjunto de iniciativas:

O penúltimo dia de feira começa cedo, com actividades desportivas, nomeadamente o segundo passeio todo-o-terreno turístico, organizado pela Associação TT-B Aventura, e a concentração está agendada para o NERBE. Às 11.00 horas e às 14.00 horas, pode assistir ao Concurso Nacional de Saltos, Classe E, no Picadeiro D. Diogo Braancamp Sobral e às 18.00 horas, neste mesmo espaço, ao Horse Ball.

Os colóquios também começam cedo neste sábado. Para as 10.00 horas está agendado, para o auditório do NERBE, o colóquio dedicado ao tema: “O papel da agricultura nas energias alternativas – Projecto Altercexa – no âmbito do POCTEP”, organizado pela Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Beja.

Às 15.00 horas, prosseguem os colóquios no auditório da Expobeja, sobre “As misericórdias – Uma régia ideia assistencial/A monarquia – uma ideia de futuro”.

Os concursos estão agendados para as 15.00 horas, com o XXI Concurso Regional de Beja do rafeiro alentejano, na avenida principal da feira.

A programação no espaço “Alentejo Blues” começa às 18.00 horas, com a tertúlia: “Os caminhos da Arte no Alentejo”, com o pintor António Inverno, prossegue com o showcase dos Virgem Suta marcado para as 19.00 horas e termina às 22.00 horas, com o DJ Aiuia.

Os espectáculos hoje, vivem o seu momento alto, com a apresentação às 22.30 horas, na Arena Multiusos da brasileira Daniela Mercury. A noite termina ao som do DJ Pedro Tabuada, também na Arena Multiusos.

“Todo o Alentejo deste mundo”, para apreciar até ao dia de amanhã, no Parque de Feiras e Exposições de Beja.

Ana Elias de Freitas

Artigo recolhido da Radio Voz da Planicie 104.5 FM

terça-feira, 27 de abril de 2010

Valores Intemporais...A dignidade Nacional

Corria o ano da graça de 1962. A Embaixada de Portugal em Washington recebe pela mala diplomática um cheque de 3 milhões de dólares (em termos actuais algo parecido com € 50 milhões) com instruções para o encaminhar ao State Department para pagamento da primeira tranche do empréstimo feito pelos EUA a Portugal, ao abrigo do Plano Marshall.O embaixador incumbiu-me – ao tempo era eu primeiro secretário da Embaixada – dessa missão.
Aberto o expediente, estabeleci contacto telefónico com a desk portuguesa, pedi para ser recebido e, solicitado, disse ao que ia. O colega americano ficou algo perturbado e, contra o costume, pediu tempo para responder. Recebeu-me nessa tarde, no final do expediente. Disse-me que certamente havia um mal entendido da parte do governo português. Nada havia ficado estabelecido quanto ao pagamento do empréstimo e não seria aquele o momento adequado para criar precedentes ou estabelecer doutrina na matéria. Aconselhou a devolver o cheque a Lisboa, sugerindo que o mesmo fosse depositado numa conta a abrir para o efeito num Banco português, até que algo fosse decidido sobre o destino a dar a tal dinheiro. De qualquer maneira, o dinheiro ficaria em Portugal. Não estava previsto o seu regresso aos EUA.
Transmiti imediatamente esta posição a Lisboa, pensando que a notícia seria bem recebida, sobretudo num altura em que o Tesouro Português estava a braços com os custos da guerra em África. Pensei mal. A resposta veio imediata e chispava lume. Não posso garantir a esta distância a exactidão dos termos mas era algo do tipo: "Pague já e exija recibo". Voltei à desk e comuniquei a posição de Lisboa.
Lançada estava a confusão no Foggy Bottom: - não havia precedentes, nunca ninguém tinha pago empréstimos do Plano Marshall; muitos consideravam que empréstimo, no caso, era mera descrição; nem o State Department, nem qualquer outro órgão federal, estava autorizado a receber verbas provenientes de amortizações deste tipo. O colega americano ainda balbuciou uma sugestão de alteração da posição de Lisboa mas fiz-lhe ver que não era alternativa a considerar. A decisão do governo português era irrevogável.
Reuniram-se então os cérebros da task force que estabelecia as práticas a seguir em casos sem precedentes e concluíram que o Secretário de Estado - ao tempo Dean Rusk - teria que pedir autorização ao Congresso para receber o pagamento português. E assim foi feito. Quando o pedido chegou ao Congresso atingiu implicitamente as mesas dos correspondentes dos meios de comunicação e fez manchete nos principais jornais. "Portugal, o país mais pequeno da Europa, faz questão de pagar o empréstimo do Plano Marshall"; "Salazar não quer ficar a dever ao tio Sam" e outros títulos do mesmo teor anunciavam aos leitores americanos que na Europa havia um país – Portugal – que respeitava os seus compromissos.
Anos mais tarde conheci o Dr. Aureliano Felismino, Director-Geral perpétuo da Contabilidade Pública durante o salazarismo (e autor de umas famosas circulares conhecidas ao tempo por "Ordenações Felismínicas" as quais produziam mais efeito do que os decretos do governo). Aproveitei para lhe perguntar por que razão fizemos tanta questão de pagar o empréstimo que mais ninguém pagou. Respondeu-me empertigado: - "Um país pequeno só tem uma maneira de se fazer respeitar – é nada dever a quem quer que seja".
Lembrei-me desta gente e destas máximas quando há dias vi na televisão o nosso Presidente da República a ser enxovalhado pública e grosseiramente pelo seu congénere checo a propósito de dívidas acumuladas.Eu ainda me lembro de tais coisas, mas a grande maioria dos Portugueses de hoje nem esse consolo tem.
Estoril, 18 de Abril de 2010
Luís Soares de Oliveira

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Comemorações do 25 de Abril e da República: ligação abusiva?

Comemorações do 25 de Abril e da República: ligação abusiva?


Já que hoje foi dia de associar por todo o lado a revolução do 25 de Abril de 1974 ao "centenário" da República e aos vultos republicanos, eu, monárquico, abaixo assinado, esclareço que:

a) O 25 de Abril deu-se para restaurar as liberdades garantidas pela constituição monárquica em vigor à data de 5 de Outubrio de 1910, ou seja, liberdade de opinião, de associação política, liberdade de imprensa, liberdade sindical, eleições livres, enfim, tudo direitos de cidadania mitigados durante a 1ª República e a 2ª do "Estado Novo" de Salazar;

b) Combatentes contra a ditadura republicana do dito "Estado Novo" como Francisco Lino Neto, Francisco Sousa Tavares, Sophia de Mello Breyner, Fernando Amado, João Camossa, Henrique Barrilaro Ruas, ou Victor Quintão Caldeira - só para mencionar alguns - não eram republicanos.

c) No posto de comando do 25 de Abril e posteriormente no próprio COPCON, participaram monárquicos convictos;

d) O estado a que a centenária República Portuguesa chegou não é da minha responsabilidade.

domingo, 25 de abril de 2010

Das palavras de S.A.R.Senhor D. Duarte na tomada de posse do Nucleo Monarquico da Real Associação do Ribatejo( 10 de Abril de 2010)

Ao núcleo de Abrantes da Real Associação do Ribatejo

Caros Amigos

Fico feliz com a boa notícia do relançamento do vosso Núcleo Concelhio , pois a vossa região é fértil em homens e mulheres disponíveis para lutar pela Restauração de Portugal , e tem dado boas provas no passado !
A disponibilidade de uma sede bem colocada em Abrantes é um excelente trunfo. Em conjunto com os locais que dispõem em Santarem , permite ao vosso núcleo e à vossa R.A. Ribatejo dinamizar a região norte da província.

Tenho verificado que os vossos núcleos concelhios costumam ser pólos eficientes de dinamização da actividade de informação e doutrinação monárquica . Essa é na verdade a primeira razão de ser das R.A.

Verifico tambem que a área geográfica das antigas Províncias é aquela na qual as populações melhor se revêem . Terá sido um erro delimitar as Reais Associações pelos distritos republicanos , mas a vossa RA evitou esse erro, e agora a Causa Real decidiu tambem alterar o seu estatuto nesse sentido .
As dificuldades foram originadas por excelentes pessoas que infelizmente não perceberam os objectivos do Movimento e ficaram muito agarrados aos seus pequenos poderes e prestígios locais em vez de ter uma visão global da Reastauração .
Entretanto alguns traidores ou infiltrados conseguiram tomar conta de algumas poucas R.A. , comprometendo o trabalho realizado durante anos pelos seus militantes ! Outras simplesmente pararam por falta de dinamismo . Duas das RA vossas vizinhas estão nessa situação e precisam da nossa ajuda...

Se os núcleos concelhios potenciam a dinamização de esforços a nível local , a criação de novas Reais Associações que viessem fragmentar as já existentes seria desnecessária e iria desestabilizar a estrutura a nível nacional . O contrário é que por vezes se torna necessário .
.
Devemos concentrar-nos na urgente ação política , e não perder tempo e dispersar esforços com assuntos não essenciais ..

Recomendo tambem que em coordenação com a Causa Real e com outras Reais , ( para não dispersar esforços ) o vosso grupo da juventude crie umas boas páginas na net . Servem para que muita gente vos possa contactar sem ter de ir às sedes ou tentar telefonar e como meio de doutrinação. É indispensável atualizar a informação regional e nacional para manter o seu interesse. E criar ligações, por exemplo às minhas páginas e a boas páginas monárquicas nacionais e estrangeiras.
Convem tambem ter um horário regular de abertura das Sedes, nem que seja durante algumas horas em alguns dias da semana .
Esperando ter em breve a oportunidade de vos visitar , despeço-me com os meus sinceros votos de sucesso à vossa patriótica iniciativa !

Dom Duarte

sábado, 24 de abril de 2010

Homenagem a Francisco Sousa Tavares (n.1920 m.1993)

Advogado, jornalista e político. Monárquico democrata, foi um activo opositor ao regime salazarista. Foi um dos contactos civis dos militares que em 1959 intentaram contra o regime naquela que ficou conhecida como Revolta da Sé . No dia 25 de Abril de 1974 o país conheceu-o através de imagens que ficaram célebres: do alto de uma guarita e através de um megafone foi primeiro político a falar à população que no Largo do Carmo, acompanhando as operações militares comandadas por Salgueiro Maia , aguardava a rendição de Marcello Caetano . Depois da revolução de 25 de Abril foi deputado pelo Partido Socialista e mais tarde pelo Partido Social Democrata. Em 1983, ocupou o cargo de Ministro da Qualidade de Vida no IX Governo Constitucional do Bloco Central. Foi casado com a poetisa Sophia de Mello Breyner.

Fonte : Centro de Documentação 25 de Abril © 1996

Falar de Sousa Tavares é recordar um advogado invulgar, um homem de carácter e um político desassombrado. Francisco Sousa Tavares, não é ma personalidade muito conhecida, mas fui um homem que merece ser estudado, recordado e até continuado. Era um homem destemido, de verbo fácil e certeiro. o país está carecido de personalidades destas, face ao cinzentismo e ao acomudamento em que se encontra a sociedade portuguesa. Estamos a ficar um povo abúlico e sem esperança, ficando indiferentes ao desenrolar de factos que em circunstâncias normais nos deveriam inquietar, indignar e revoltar.

Francisco Sousa Tavares era incapaz de assistir a esse adormecimento nacional, sem um grito de revolta que contagiasse e recuperasse alma lusitana. Nasceu no dia 12 de junho de 1920 e faleceu no dia 25 de maio de 1993. Foi advogado, jornalista, director de jornal, deputado e ministro. Sendo natural de lisboa, fez o liceu aqui bem perto, no colégio dos jesuítas em Santo Tirso.
Foi activista da juventude católica e fundou o Centro Nacional de Cultura, onde criou um jornal universitário. Participou, em 1958, activamente, na campanha presidencial de Humberto Delgado, o que lhe valeu a expulsão da Função Pública; já antes, em 1947, tinha recusado ser candidato a deputado á Assembleia Nacional e recusa até o cargo de Governador Civil de Castelo Branco.
Foi detido 3 vezes pela PIDE, combatia a guerra colonial e, como advogado, defendeu muitos oposicionistas, particularmente comunistas, nos tribunais e foi advogado do célebre assalto ao banco da Figueira da Foz.
Com a revolução de Abril aderiu, em 1974 ao PS. Tempos depois, desiludido, abandonou o partido, quando da criação do PDR ainda andou ás voltas deste partido, mas em 1981, aderiu ao PSD, participou na direcção deste partido e em seu nome foi Ministro da Qualidade de Vida.

Homem de antes quebrar que torcer, deixou marcas por tudo por onde passou...

Era uma tempestade emocional num grande e nobre coração.


Fonte : Jornal da Trofa

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Revisão Constitucional – uma ocasião que não pode ser perdida

João Mattos e Silva * (Abr-2010)

Os poucos republicanos convictos da imprescindibilidade do regime para a manutenção da democracia e o alcance do progresso, tentam colar aos que defendem o regresso ao regime que durante quase oito séculos presidiu aos destinos de Portugal evoluindo e adaptando-se aos tempos, o rótulo de passadistas, retrógrados, defensores de privilégios e outros epítetos semelhantes.

São quase sempre os mesmos que neste ano do centenário da República, falam dos primeiros anos do regime imposto revolucionariamente em 1910, como de um paradigma, mesmo de um paraíso perdido, onde a onda avassaladora da liberdade, da paz social, das novas conquistas civilizacionais, se impôs pela bondade das suas ideias e realizações. Tem sido esse o tom das conferências, palestras, publicações e exposições que, um pouco por todo o país, o Estado, as autarquias e algumas escolas e universidades têm realizado, no afã de agradar às clientelas nuns casos, aos poderes públicos noutros.

A comunicação social, geralmente ignorante da História – tanto a da Monarquia como a da República – subserviente perante o Estado republicano, independente por força da lei, mas enfeudada a interesses que não confessa, faz-se eco das louvaminhas comemorativas, sem sequer as questionar nem, na esmagadora maioria dos casos, procurar quem possa fazer o contra-ponto, numa prática da sua ética profissional. Verdade seja dita que também não se tem preocupado em demasia com o centenário do regime. O que tenta – e o programa televisivo Nobre Povo, da RTPN é um claro exemplo – é descortinar dissensões e divisões entre os que defendem a Monarquia, dando tempo de antena a figuras públicas da canção lisboeta, que curiosamente conotam com o passadismo dos monárquicos, que são divisionistas pelas piores razões e dos dislates políticos fizeram carreira, às costas de alguns políticos interesseiros e desconhecedores da realidade eleitoral, tentando menorizar as ideias em favor do pretenso escândalo que estaria subjacente.

Passados quase trinta e seis anos sobre a reposição da democracia, parece ignorar-se que a maioria esmagadora dos monárquicos está com a Democracia – embora muitos, como muitos dos ditos republicanos, possam querer aprofundá-la e melhorá-la – e que a sua ligação ao passado é apenas em defesa da verdade histórica que cem anos de regime tem querido adulterar, impondo a ideia de que a Monarquia derrubada em 1910 era um regime anti-democrático, de privilégios da nobreza, de repressão, de ignorância, de esbanjamento dos dinheiros públicos, de injustiça, de insensibilidade social. E querendo impor uma visão idílica da República, como instauradora da liberdade, da equidade, da justiça, da educação, dos direitos da mulher e das minorias, esquecendo ou minimizando a repressão política, religiosa e sindical, as prisões arbitrárias, a implantação das escolas dos centros republicanos como meio de formação ideológica das crianças, as revoluções constantes, o caos financeiro, a sucessão vertiginosa de governos, a autofagia da República, a diminuição dos direitos eleitorais em geral e para as mulheres em particular, os casos de repressão dos desvios aos costumes morais.

Os monárquicos – que não têm nem podem ter um programa para a governação do País, porque não são um partido, mas se revêem em diferentes soluções ideológicas e programáticas – querem, sim, um regime novo, uma Monarquia moderna, democrática e avançada política, social e culturalmente, como as que existem na Europa e são os regimes mais desenvolvidos do espaço europeu. E querem, naturalmente, que todos os portugueses possam conhecer esse regime e escolher entre ele e o regime decadente que fará cem anos de implantação revolucionária.

Com a próxima revisão constitucional – agora requerida com carácter de urgência por um líder partidário – está de novo lançado um repto aos monárquicos, todos aqueles que militam nos partidos e aos que, fora deles, têm capacidade de fazer pressão sobre os partidos e deputados e fazer ouvir a sua voz por qualquer meio. A alteração da alínea b) do artigo 288º, que estabelece os limites materiais da revisão – obrigando à “forma republicana de governo” – será mais uma vez uma batalha a travar. Porque o que todos os verdadeiros democratas desejam é que possa ser alterada para “forma democrática de governo” e que seja deixada ao povo soberano a possibilidade de decidir.

Esta batalha é para os monárquicos fundamental e para os republicanos verdadeiramente democratas a ocasião de o afirmarem claramente sem “ses” e “mas”. Para uns e para outros seria a forma de mostrarem a sua modernidade e apego à liberdade tão apregoada e tantas vezes silenciada.



* Nota: o texto publicado é da exclusiva responsabilidade do autor.

Postado Por Adosinda Henriques

quarta-feira, 21 de abril de 2010

O Presidente que gasta mais que um Rei

“O Rei de Espanha, quando viaja, ou vai num aviãozinho militar pequenino ou vai num avião de carreira. Nunca ninguém viu o Rei de Espanha requisitar um avião inteiro de uma companhia aérea para fazer uma viagem de visita oficial”, D. Duarte de Bragança

Depois de uma visita à republica Checa onde o único factor positivo foi a capacidade presidêncial para ouvir apartes do seu homologo , Cavaco Silva chega a Lisboa no Falcon….pois certamente que a comitiva de jornalistas e demais trabalhadores de empresas privadas ,que o Estado lá vai sustentando, não tinham capacidade psicológica para viajar mais um pouco de autocarro.

Tem toda a razão de ser os alertas dados por D. Duarte relativamente aos gastos da Casa Civil da presidência da República. O Presidente português gasta mais 5 vezes o que o Rei da imensa Espanha, o que em proporção económica equivaleria a 25 vezes a dimensão dos custos do Presidente Português face ao monarca espanhol. Sendo que os resultados raramente passam a marca da simpática presença sem qualquer intenção económica

(19 de Abril de 2010)

O Presidente que ganhou o euromilhões

O avião Falcon da Força Aérea portuguesa que transportou o Presidente da República, Cavaco Silva, e a a sua comitiva desde Barcelona aterrou hoje às 20:24 no Aeroporto Militar de Figo Maduro, em Lisboa, para evitar uma viagem de 4 horas

O chefe de Estado português não prestou declarações à comunicação social e entrou de imediato para o carro da Presidência.

Cavaco Silva estava acompanhado pela primeira-dama, Maria Cavaco Silva, pela ministra da Saúde, Ana Jorge, e pelo secretário de Estado da Energia e da Inovação, Carlos Zorrinho.

Não podemos ficar indiferentes ás palavras de D. Duarte quando diz que o Presidente da República português, anualmente, “custa cerca de 2,9 euros por habitante” enquanto os encargos por habitante do Rei de Espanha representam “uns cêntimos por ano” aos cidadãos espanhóis.
“Em valores absolutos é cinco para um, por habitante é 18 vezes mais. O palácio de Belém sai muito mais caro do que o palácio real espanhol”,
O Presidente da República partiu hoje de Barcelona às 20:00 locais (19:00 em Lisboa), depois de uma viagem de 1 700 quilómetros de carro desde Praga a urgência de chegar a Portugal em menos 3, 5 horas era tal que se tornou necessário requisitar um falcon e um c-130 que gasta 2300 litros de fuel por hora

A restante comitiva que acompanhou Cavaco Silva na visita de Estado que realizou à República Checa, que integra perto de uma centena de pessoas, entre os quais 35 empresários, 23 jornalistas, membros do Protocolo de Estado, da Casa Civil do Presidente, e outros convidados, só deverá partir de Barcelona cerca das 22:30 a bordo do C-130 da Força Aérea.

Cavaco Silva ficou detido em Praga na sexta-feira, dia em que deveria ter regressado a Lisboa depois da visita oficial à República Checa, devido à nuvem de cinzas vulcânicas proveniente da Islândia que provocou o encerramento do espaço aéreo checo.

Numa atitude pouco compreensivel o Presidente português ausenta-se do funeral do Presidente polaco e aumenta consideravelmente os custos de uma viagem infrutifera.
Sabendo-se os interesses comerciais que Portugal tem com a Polónia e a maior relevância deste pais em deterimento da Republica Checa não se compreende a ausência , ainda para mais quando de Praga a Cracóvia medem apenas 500 Km.

A presidência da Republica prefere trocar uma oportunidade económica por uma alegre excursão paga pelos contribuintes, pena é que as cinzas não tenham impedido a circulação rodoviária pois o País teria poupado a deslocação de vários autocarros e dois aviões que transportam uma comitiva de mais de 100 pessoas

Não se compreende porque se desloca um Presidente de avião com empresários se o objectivo não é económico,nem tão pouco se compreende porque transporta o PR Jornalistas e demais funcionários de empresas públicas quando o País se encontra na delicada situação financeira actual
“O Rei de Espanha, quando viaja, ou vai num aviãozinho militar pequenino ou vai num avião de carreira. Nunca ninguém viu o Rei de Espanha requisitar um avião inteiro de uma companhia aérea para fazer uma viagem de visita oficial” declarava D. Duarte na passada quinta feira, na Figuera da Foz, acabando por estar em sintonia com os recentes eventos

Fica a esperança que St. António deixe de ser de Pádua para ser de Lisboa e faça o milagre de recuperar o dinheiro que o Estado gasta de forma leviana em viagens que nunca ultrapassam a fulgral actividade turistica.

Fonte : Somos Portugueses
http://www.somosportugueses

Postado por António Silvino

sábado, 17 de abril de 2010

D. Duarte defende "revolução nacional cultural" contra "absurdos" programas escolares

O pretendente ao trono português, D. Duarte Pio de Bragança, defende uma “verdadeira revolução nacional cultural” contra os “absurdos” programas escolares, classificando de “mentira” a História de Portugal que se ensina nas escolas.

“Tenho muitas vezes de explicar [ao filho Afonso] que o que ensinam no programa oficial [de História de Portugal], a maior parte é mentira”, disse D. Duarte, quinta-feira à noite, durante uma tertúlia no Casino da Figueira da Foz.

Respondendo a uma pergunta da jornalista Fátima Campos Ferreira, anfitriã da tertúlia “125 minutos com...”, sobre o acompanhamento do percurso escolar do filho, D. Duarte acrescentou que História de Portugal retratada nos manuais escolares “é propaganda política”.

“Tem muito pouco de objetividade. Hoje em dia quase não há mais História de Portugal no ensino oficial (…) em geral o que é negativo é que é salientado, o que havia de muito bom na nossa História é considerado politicamente incorreto, não vá despertar sentimentos nostálgicos”, argumentou.

E continuou: “Os programas escolares de História são francamente anti-portugueses, em geral”.

“Há o objetivo de provar que Portugal não tem razão de ser, não é viável como País. Estão a preparar tudo para entregar [Portugal] a Espanha”.

Para além de “absurdos”, classificou os currículos escolares de perniciosos para a Pátria, dando ainda o exemplo dos programas da disciplina de Português que fazem com que os alunos não aprendam a escrever “e, sobretudo, não aprendam a pensar”.


16-04-2010

Jornal O FIgueirense


Postado Por:

Orlando Jorge madeira Góis

domingo, 11 de abril de 2010

Interessante assunto para a Causa Real…

Apenas uma interpretação jurídica num Estado democrático:

Antes da implantação da república (1910), o Estado luso era juridicamente um Reino Unido: o Reino de Portugal e o Reino do ALGARVE. No famigerado dia de 05/10/1910 foi implantada, à força das armas e sem ouvir o povo, a República Portuguesa. Isto é, o Reino de Portugal passou a ser uma república (que ainda hoje existe…sem se ouvir o povo), mas naquela convulsão esqueceu-se o Reino do Algarve, cuja origem é anterior à Monarquia lusa.

Ora, neste âmbito, e tomando as palavras do herdeiro ao trono de Portugal, o Senhor Duque de Bragança, bem como considerando a Constituição da República Portuguesa (CRP), a qual omite qualquer referência ao Reino do Algarve, importa salientar os seus seguintes artigos:

«Artigo 4.º
(Cidadania portuguesa)
São cidadãos PORTUGUESES todos aqueles que como tal sejam considerados pela lei ou por convenção internacional.
Artigo 5.º
(Território)
1. Portugal abrange o território HISTORICAMENTE DEFINIDO (é a própria Lei que o diz formal e expressamente - acrescento nosso) no continente europeu e os arquipélagos dos Açores e da Madeira.
2. (…)
3. O Estado não aliena qualquer parte do TERRITÓRIO PORTUGUÊS ou dos direitos de soberania que sobre ele exerce, sem prejuízo da rectificação de fronteiras.
Artigo 6.º
(Estado unitário)
1. O Estado é unitário e respeita na sua organização e funcionamento o regime autonómico insular e os princípios da subsidiariedade, da autonomia das autarquias locais e da descentralização democrática da administração pública.»

Face ao exposto, e antes que se lembrem de aplicar a parte final do n.º 3 do artigo 5.º («(…) sem prejuízo da rectificação de fronteiras.»), e em bom rigor jurídico, o (Reino do) Algarve é hoje “no man’s land”. É como se uma república se tivesse apropriado, de forma desmazelada, do Reino Unido e consagrasse efectivamente uma constituição sobre a Inglaterra, designando-a de Constituição da República Inglesa, e governasse sobre a Escócia. Ou seja…um absurdo!

Parece que em face da CRP, a relação entre Portugal e o Algarve, não devia ser regulada pelos artigos 3.º a 6.º, mas antes pelos artigos 7.º a 8.º (Relações internacionais e Direito internacional).

De um prisma estritamente técnico afigura-se que o Senhor D. Duarte é de iure e de facto Rei dos Algarves, potencialmente o seu mais legítimo chefe de Estado, sem mais contestação ou argumento contra.
Mas quem sou eu para dizer tal coisa…?!

sábado, 10 de abril de 2010

o 25 de Abril de 1974 e a república

Para algumas mentes quadradas ser monárquico é ser fascista e de direita, dá-me alguma vontade de rir até onde vai a cultura futebolística de muitos treinadores de bancada. O de 25 de Abril de 1974 foi o Dia da Liberdade para os portugueses mas também em particular para os Monárquicos, sem o 25 de Abril de 1974 não teria existido o direito à Liberdade de Expressão que nos permite entre outras coisas escrever e dizer o que se pensa. Não foi um dia dos comunistas, é mais que sabido que os interesses das carreiras militares estavam em causa para os militares de carreia … essa é a crua das verdades. Houve um aproveitamento de certos partidos políticos mas felizmente a Liberdade foi reposta com o 25 de Novembro de 1975, felizmente aqueles que advogam “o que é teu é meu, o que é meu é meu” foram calados e impedidos de criar um ditadura de esquerda.

Defender a Liberdade e a Democracia não é ser de alguma forma de direita, mas defender o contrário é tanto de esquerda como de direita … dependendo dos extremos dos pólos onde se está. É inconcebível que misturem o 25 de Abril de 1974 com o 5 de Outubro de 1910, esquecem-se do 28 de Maio de 1926 mas quer se queira quer não essa também foi uma das três revoluções do Portugal do séc.XX. Em 1910 tinham sido feitas eleições e existia o partido republicano que por azar só tinha 7% de representatividade, não se vivia um clima de ditadura … veio a verificar-se depois. Em 1910 os presidentes da republica não passaram a ser votados por sufrágio universal porque era o parlamento que os elegia, ao contrário dos presidentes a seguir a Eanes. As Forças Armadas fizeram o 25 de Abril, a Carbonária aguentou e fez o 5 de Outubro de 1910 … há uma grande diferença aqui. As mulheres depois de 1974 puderam votar, coisa que entre 1910 e 1974 não podiam fazer por serem consideradas inferiores. Enquanto que o republicanismo nasceu como reposta à hipotética perda de soberania portuguesa , no 25 de Abril existiu e consegui-se precisamente o contrário com a independência desastrosa das colónias com milhares de mortos nas guerras civis que se sucederam e perdas de patriomónio por parte dos “Retornados”.

O afundamento económico a partir de 1910 foi pior do que o que se verificou depois de 1974, em nenhum dos casos a economia saiu favorecida … o Povo pagante esse sim é que saiu prejudicado.

Concluindo comparar o 5 de Outubro de 1910 com o 25 de Abril de 1974 é como comparar a Bomba Atómica com bombas de mal cheiro.

Fonte: Causa Monárquica

Quando se confunde a árvore com a floresta…

Muitas das notícias que nos chegam, no seu afã de propaganda ideológica encapotada, contêm o erro fundamental de confundir a árvore com a floresta… sobretudo quando o objectivo é denegrir. Ou seja, a partir de um caso isolado, de preferência de contornos escabrosos, generaliza-se de forma a induzir o leitor a pensar que todo o conjunto é da mesma natureza. Tal generalização obviamente tem conotações ideológicas e obedece a uma agenda política que visa desconstruir a Sociedade Tradicional e todas as suas instituições seculares para impor uma Nova Ordem Mundial à feição dos sinistros interesses da Oligarquia Internacional, a mesma que manobra os mercados financeiros e através destes, controla em grande parte a Economia Planetária. Referimo-nos aos casos de Pedofilia no seu seio da Igreja Católica recentemente mediatizados pelas Agências Internacionais de Notícias.

De facto as recentes notícias de Pedofilia, que envolve sacerdotes católicos, têm contornos de uma campanha de ataque à hierarquia Católica, muito para além da objectividade informativa que a deontologia jornalística impõe, independentemente da sua gravidade moral. Tais notícias suscitam desconfiança sobre a sua “bondade” até entre os não católicos como nós. Embora discordando da doutrina da Igreja, em alguns aspectos, reconhecemos no entanto a importância capital do seu papel na nossa História, na defesa dos valores éticos que enformam a nossa cultura judaico-cristã e a sua acção social meritória em prol daqueles que têm sido vítimas da usura e da ganância da Oligarquia Internacional, que é afinal a mais interessada em destruir o Catolicismo e a Religião em geral, já que constituem um obstáculo sério à consecução do seu objectivo final, que é o de reduzir a Humanidade à condição de escravos robotizados.

Ressalvamos, antes que nos confundam estar a defender a Pedofilia, que ao fazermos a defesa da Igreja Católica não estamos a justificar a acção ignominiosa de homens que esqueceram de todo a sua mais elementar obrigação de sacerdotes, o respeito pelo próximo, sobretudo o mais fraco, como é a criança órfã, carente do afecto de uma verdadeira família.

Um dos aspectos que nos leva a desconfiar da “boa vontade” destas notícias é o facto de focalizarem em exclusivo os casos de Pedofilia de clérigos católicos, quando se sabe que este vício é transversal à sociedade. Encontramo-lo em todos estratos sociais e até nas famílias. O pedófilo é em princípio muito próximo da vítima e da sua confiança, ou seja, não é um estranho… podendo ser até um pai, um tio, etc. Quando se argumenta que os padres devido ao celibato a que estão obrigados são mais propensos à pederastia, como insistentemente se procura justificar a tentação dos abusos sexuais, esquece-se que o pederasta nem sempre é solteiro e muitas vezes é tido como “bom” chefe de família, portanto uma pessoa aparentemente normal.

Outro detalhe que indicia que está em marcha uma campanha de desmoralização da Igreja, é o facto das notícias sobre a Pedofilia no seu seio surgirem como cogumelos que nascem a cada manhã, confundindo-se o número das vítimas com o dos pedófilos, parecendo que estes são tantos como um exame de abelhas… Quase a totalidade da hierarquia católica… Evidentemente que isto não desculpabiliza os autores dos abusos sexuais. Na verdade as vítimas são muitas, porém os abusadores denunciados não passam de uma diminuta minoria. Do mal, melhor… Até se tivermos em linha de conta a estatística nos USA, o número de vítimas nas instituições católicas comparada com as restantes, nomeadamente no ambiente escolar civil, é muito superior, uma proporção de 157 para 1, num espaço de tempo de 52 anos, de 1950 a 2002. É obra, não? Tal desproporção mostra por outro lado, no caso norte-americano, como a Pederastia é um fenómeno social extensivo, ou seja, não se restringe a um sector específico da sociedade.

O caso da Casa Pia de Lisboa é também ilustrativo quanto à tipificação do pedófilo. Este orfanato do Estado Português, fundado nos finais do Século XVIII, pelo Intendente da Polícia Pina Manique, homem da confiança do Marquês de Pombal, com um processo de Pedofilia a decorrer, reúne mais arguidos suspeitos de abusos sexuais a menores que todos os casos mencionados recentemente na “mídia” para denegrir a imagem da Igreja. Estão indiciados pelo Ministério Público dez arguidos, incluindo uma cúmplice. Contudo há quem diga que a “farra sexual” naquele instituto envolve muito mais gente e bem graúda, uma vez que remonta há década de 80 do século passado e muitas das vítimas, hoje adultos, não estão dispostos a passar pelo tormento dos inquéritos policiais e menos ainda pela vergonha pública a que têm sido sujeitos os “putos casa pianos” directamente envolvidos no processo. Há a ressaltar, em abono da verdade, que nem todas as acusações serão genuínas. Há quem se aproveite para extorquir dinheiro. Daí talvez a dificuldade de se apurar até onde vai a verdade e começa a mentira… quer de um lado, quer do outro. Acresce referir que problemas de sexualidade, como a sodomia e outros, sempre ocorreram em colégios internos, inclusive entre os internos, embora sejam severamente reprimidos, deixando marcas indeléveis para o resto da vida.

A fúria anticlerical do lobby laicista vai ao ponto de ressuscitar velhos casos como o do padre Lawrence Murphy, que remonta a 1975, para atacar insidiosamente o actual Papa e por essa via, a própria Igreja. A 25 de Março do corrente ano, o conceituado New York Times publicou uma matéria em que pretensamente acusa Bento XVI de encobrir o pároco de Milwaukee quando em 1995 o Papa ainda era Cardeal e responsável pela Congregação para a Doutrina da Fé. È preciso ter muito ódio ao Catolicismo para 35 anos depois levantar tal questão… A denúncia é tanto mais insidiosa quando ignora de todo que aquele organismo tem como função específica vigiar os desvios doutrinários, heresias, pelo que nada tem com o Direito Canónico, que julga casos de indisciplina, como o são os actos que violam a castidade a que os clérigos estão obrigados. Ignora que o referido padre foi na oportunidade ilibado pelo Direito Civil, que não apurou provas da prática de Pedofilia sobre rapazes surdos que tutelava. Como ignora que a hierarquia católica manteve-o sob vigilância e o fez, não tanto pela suspeição de abusos sexuais em menores, mas por desvios doutrinários. Foi essa e só por essa razão que o então Cardeal Ratzinger, em 1995, o sancionou, tendo então limitado as suas funções pastorais. Quatro meses depois Murphy faleceu. Não cremos que aquele diário nova-iorquino desconhecesse em absoluto estes factos. Daqui se conclui que existe má fé e em marcha uma campanha difamatória articulada mundialmente contra a hierarquia católica.

E compreende-se. O actual Sumo Pontífice, coerente com os princípios da Igreja Católica, tem desenvolvido uma tenaz resistência contra as propostas contra-natura e fracturantes, veiculadas por organizações laicas apostadas em impor uma visão sexista e hedonista da Sociedade, reduzindo o homem à sua condição animal para negar a sua dimensão espiritual. Tais organizações não surgiram obviamente por “geração espontânea”, nem vivem do ar… Foram criadas e são apoiadas à sorrelfa por Fundações ditas filantrópicas como a da família Rockfeller. Os interesses financeiros das mesmas estão ligados a um vasto leque de sectores económicos, que vão desde a banca, o petróleo, a indústria farmacêutica, a indústria militar, etc, aos meios áudio visuais, incluindo a “mídia”, a qual evidentemente cumpre uma agenda ditada pela Elite Global à qual pertencem.

Ademais, quem postula que a Humanidade tem que ser reduzida a 1/3 da população actual e contribui para a miséria de milhões de seres humanos não pode ver com bons olhos a acção caritativa da Igreja, precisamente nas áreas onde a pobreza é mais sentida, coincidindo por vezes com subsolos ricos explorados por essa mesma Elite Global.

Há portanto uma intenção neste tipo de notícias, que vai muito além do desejo de informar… Se assim fosse não omitiam o mesmo fenómeno noutras instituições análogas. Mais, numa apreciação equilibrada da responsabilidade da Igreja na Pedofilia, deveriam referir os processos civis e canónicos que têm sido levantados aos clérigos acusados de abuso sexual a menores, seu desfecho, e não apenas publicitar denúncias, que podem não ser genuínas, como se tem conhecimento em processos deste género.

Artur Rosa Teixeira

Ponta Delgada, 28 de Março de 2010